Pássaro negro, meu pai passou a me chamar assim depois de um halloween onde eu me vesti de doutor peste. Uma simples fantasia com uma mascara de bico e um sobretudo preto que cobria todo o corpo, foi um dia especial apesar de não lembrar muito sobre.
Agora estou aqui, no telhado de uma casa observando, nunca
imaginaria que esse apelido iria fazer tanto sentido.
- Pássaro Negro na escuta?
Pego o walkie talkie.
- Sim, estou em posição...
O clássico chiado também me lembra dele, nos sempre
andávamos pela floresta com esses rádios, nos comunicando e jogando conversa
fora. Thomas Hess não era um pai que falava as coisas assim, não, ele preferia
ir caminhar pela floresta e soltar dicas, um verdadeiro fuzileiro.
- O que está vendo?
Olho mais uma vez o pouco movimento do bairro.
- Tudo parece normal...
- Eles já saíram?
- Não...
- Impossível, pelos meus cálculos já deveriam ter saído.
- Cálculos? Você não disse que tem acesso as câmeras da
cidade? É só olhar a hora que eles costumam sair, por que fez cálculos?
- Ah caro irmão, um verdadeiro gênio faz cálculos para
prever tudo.
- Entendi verdadeiro gênio... eles estão saindo.
Da casa abaixo de mim a família Jones sai, eles entram no
carro e após alguns segundos saem como uma família comum.
- Você tem 1 hora ate o filho mais velho voltar do trabalho,
estarei nas câmeras.
- Entendido.
Silencio o rádio e deslizo rapidamente do telhado pousando
na grama ao lado da casa, corro e pulo pelo cercado da varando parando em frene
a porta.
- Espero muito que esteja certa...
Coloco a mão na maçaneta e como ela havia dito a porta está
destrancada, entro e fecho a porta, o cheiro me faz lembrar do orfanato que
visitei certa vez com meu pai, mas sem tempo para lembranças, me movo o mais
rápido e silenciosamente que consigo ate o quarto do casal, perco um pouco de
tempo abrindo portas ate encontrar, mas logo encontro o que procuro, a cima da
cabeceira da cama esta o meu objetivo, uma grande espada guardada em um tipo de
compartimento de vidro na parede.
- Sério? Uma espada?
Suspiro e procuro a chave onde ela “calculou” que estaria,
voala, ela acertou de novo. Retiro o tênis e subo na cama, destranco o cadeado
e pego a espada, mesmo com as duas mãos quase não consigo me equilibrar com o
peso, mas sigo as instruções dela e a coloco nas costas usando o suporte,
surpresa, a espada mais pesada que já vi ficou leve, assim que a coloquei nas
costas.
- Estranho...
Pensei em diversas perguntas, mas a voz dela veio na minha
mente “sem distrações panaca, só segue o plano”.
- Entendido...
Sussurro enquanto desço da cama e coloco o tênis novamente,
mas assim que termino de amarrar uma luz ilumina as janelas, o som de um carro
estacionado me surpreende, já havia se passado uma hora? Claro que não... “as
vezes ele volt antes, então não enrola”.
- Logo hoje?
Minha mente me da diversas maneiras de escapar, mas meu corpo não se move, o suor começa a escorrer, não tenho como sair, pular dessa altura com essa espada ridícula quebraria minhas pernas, esse cara é tão treinado quanto meu pai, não tenho chances contra ele.

