Meu corpo parece fraco, minha respiração é forte. Me encontro caído em frente a floresta no quintal de casa, meu corpo parece cansado, como se eu tivesse o forçado além do limite, em minha mão direita a espada, uma espada de ouro. Ouço sussurros palavras desconhecidas e logo em seguida a voz de minha irmã. Isso de certa forma me faz soltar a espada, tudo parece ter voltado ao normal, mas o cansaço me vence e pouco a pouco vou perdendo a consciência, em um instante ainda estou caído ofegante, no outro estou em um daqueles carrinhos de mão usados em construções. Minha irmã me leva para dentro e antes de perder a consciência o vejo pela primeira vez, um homem tão alto quanto algumas árvores, com um terno, mas logo tudo se apaga.
Pouco a pouco imagens e sons vão surgindo e logo estou em
uma roda, diversas pessoas com armaduras e no centro dois mais específicos. Um
possui uma armadura preta como os outros, mas em destaque tem um tipo de capa
em seu ombro esquerdo e o outro uma armadura com tons de roxo e uma grande
coroa sobre sua cabeça. Os dois lutam com as espadas semelhantes aquela que eu
peguei na casa, mas o cavaleiro de coroa está com a vantagem, ele ataca sem
piedade e logo derruba o cavaleiro de capa.
- Está melhorando cada vez mais comandante, continue assim.
As palavras ditas são estranhas, em uma língua estranha, mas
eu as entendo e também percebo um eco em todo o som ate agora, um sonho talvez?
O cavaleiro com coroa ajuda o dito comandante a se levantar.
- Assim poderemos enfrentar o sobrenatural com mais
facilidade, não desistam.
Ele diz tais palavra enquanto mostra sua espada dourada logo
a guardando novamente, todos começam a conversar e meu nome surge ao vento como
um sussurro.
- Laurence...
Olho ao redor, mas não vejo nada.
- Laurence...
A voz que me chama pareceu vim de todos, como se todos
dissessem meu nome, mas desse segunda vez foi diferente, parecia mais forte.
- Laurence!
Um grito me traz de volta, acordo no sofá assustado, meu
corpo ainda dói.
- Me... ajuda...
A voz vinha de minha irmã, quando olho para o lado a vejo
caída com a espada sobre sua barriga, com um movimento rápido pego a espada e a
levanto. Surpresa, eu agora a segurava com uma só mão.
- Demorou demais... achei que ia morrer agora.
Ela se levanta, ainda estou surpresa por segurar a espada
com uma só mão, na casa eu quase não conseguia carregar com as duas mãos.
- Então vai ficar aí olhando ou vai me explicar o que
aconteceu?
Quando a olho novamente percebo algo, alguma coisa
diferente, mas não consigo saber o que.
- Eu...
Hesito por alguns instantes, quase digo sobre o sonho, foi
real o suficiente para eu achar que ela estava falando disso?
- Você disse que se tivesse problemas era só tirar a espada
da bainha.
- E você tirou?
- Sim...
- Eai o que aconteceu?
Olho para a espada.
- Não sei... eu tentei sair, mas ele me achou e conseguiu me
derrubar, pensei em tentar de novo, mas ele apontou uma arma.
- Ele atirou?
- Não, só me disse para deixar a espada e sair.
- Mas você não fez isso ne?
- Não... eu peguei no cabo e...
Breves lembranças surgem em minha mente.
- E o que?
- Ele disse não, mas a espada disse sim, foi como se sussurrasse
para mim, então a saquei e tudo se apagou, acordei lá fora.
- Você parecia exausto.
Checo meu corpo e percebo a exaustão sumindo lentamente.
- É a espada, ela parece estar me ajudando, me deixando mais
forte...
A levanto com facilidade.
- Então você tocou na espada e veio ate aqui? Não parece
fácil demais?
- Você me disse para não tocar no cabo, a menos que fosse
uma emergência, mas se eu fosse tocar deveria pensar em casa.
- É era o que as instruções diziam... interessante.
Ela se senta e puxa um laptop começando a digitar
rapidamente.
- Se a espada é pesada por que não larga?
Nesse momento algo surge dentro de mim.
- Não.
- Entendi...
Ela não parece se importar muito, mas eu entendo, a espada me escolheu e eu não vou mais soltar ela.

