Natalie bateu as mãos no balcão do banheiro de casa. Ela olhou para si mesma no espelho, seus olhos se contraíram.
- E-eu não vou me machucar como os outros. Eu sou forte.
Havia uma agulha e linha preta em sua mão.
- É inútil. Não ajuda.
Alguma sensação estranha puxou seu subconsciente. Ela riu
levemente.
- Não... estou fazendo isso porque quero.
Ela ergueu a agulha, colocou a linha e sorriu.
- O tempo acabou.
Mesmo com uma dor excruciante, a garota não gemeu, ela não
choramingou, não chorou. Não havia mais lágrimas para derramar, tudo o que ela
fez foi sorrir. O sangue vazou das perfurações e fez um barulho baixo de
gotejamento na pia. Quando terminou, ela se afastou e admirou sua obra. Ela
acariciou os horrendos pontos nos lados de sua boca, que se espalharam em um sorriso
largo. Ela sentiu o sangue quente e úmido em seus dedos e lambeu suavemente,
consumindo o líquido de sabor metálico em puro êxtase. Ela parou quando viu o
reflexo de sua mãe no espelho e se virou bruscamente. Ela viu os olhos
arregalados e o rosto pálido da mãe, e olhou para os dedos, vendo o sangue. De
repente, ela sentiu a dor e começou a chorar.
- Mãe?
Natalie chorou. Ela nunca se sentiu tão confusa. O que tinha
acabado de acontecer? Sua mãe agendou terapia para ela. Natalie não havia se
livrado dos pontos, com medo de quanta dor isso traria, então foi para a sessão
com eles. Ela se certificou de que seu capuz cobria todo o rosto, para não
deixar ninguém ver. Ela se sentou no confortável assento de couro e encarou a
loira à sua frente em silêncio.
- Então seu nome é Natalie, não é?
Natalie assentiu.
- Sou Debora e estou aqui para ajudar. Agora me diga,
Natalie, quais foram seus problemas recentemente?
Natalie olhou.
- Tempo, o tempo tem sido o meu problema.
Debora lhe deu um olhar confuso.
- O tempo, querida?
As mãos de Natalie agarraram rudemente o couro do assento.
- Sim, ele faz você passar por coisas assim, progredindo
lentamente pela vida, sendo controlado pela sociedade, apenas para ser
torturado, até descobrir que não tem mais um propósito. É um círculo vicioso. O
tempo não acaba. Não desacelera. Não acelera. É violento. Faz você viver a
tortura repetidas vezes, incapaz de avançar.
Natalie realmente não tinha ideia do que acabara de dizer, sentiu
como se não fosse mais ela mesma. Isso poderia ser por causa de todas as coisas
que manteve escondidas? Não, isso era impossível. Mas por alguma estranha
razão, ela gostou. A terapeuta se inclinou para frente.
- Querida, eu quero que você me diga o que aconteceu com
você.
Natalie continuou olhando. Houve uma longa pausa. Ela sorriu
levemente, as feridas de seus pontos abrindo ligeiramente mais uma vez.
- Por que você não me diz loirinha? Você é a especialista
aqui.
Debora parecia levemente irritada.
Natalie, não posso ajudar a menos que você me diga o que tem
de errado.
Os dedos de Natalie começaram a rasgar o assento de couro.
- Natalie não está mais aqui.
Com isso, os olhos de Debora se arregalaram e ela se levanta.
- Eu volto já. Por favor, fique aqui.
Ela saiu, deixando Natalie sozinha. Talvez se Debora tivesse
feito algo neste momento, não teria chegado a ser o que ela é hoje. Talvez mais
pessoas estivessem vivas e talvez ela ficasse sã como antes. Natalie não se
mexeu. Ela ficou perfeitamente imóvel, em silêncio total e absolutamente calma
naquela cadeira e depois de um tempo esperando, seus pais entraram. Natalie se
levantou, feliz por ir, mas notou as expressões de seus pais. Até seu pai tinha
uma expressão estranha e triste no rosto. Sua confusão cresceu, mas ela não
disse nada e os seguiu até o carro. No caminho, enquanto pensava que ia voltar
para casa, começou a adormecer. Estranhamente, ela ouviu uma voz sombria falar
em seu sonho. Quase soava como a dela, ecoando em um abismo eterno.
- Seu tempo acabou.
Natalie acordou rapidamente, algumas gotas de suor escorriam
pelo rosto. Ela não estava em casa. Ela não estava no carro. Ela estava em uma
cama. Uma cama branca. Em um quarto branco. Ela olhou para o lado e percebeu
que estava conectada a um monitor cardíaco. Ela tentou se levantar, mas foi
quando percebeu que estava contida. Ela entrou em pânico, começou a lutar, mas
parou quando ouviu uma porta se abrir à sua esquerda. Um homem de camisa branca
olhou para ela, com as mãos atrás das costas. Ele parecia um dos médicos
clichês que você veria em um programa de televisão ambientado em um laboratório
científico. Ela prestou total atenção quando “Sr. Cientista” começou a falar.
- Eu só posso imaginar o quão confusa você deve estar agora,
mas estou te deixando saber que estamos aqui apenas para ajudar. Seus pais
concordaram em nos permitir administrar medicamentos, na esperança de ajudar
seu estado.
Natalie abriu a boca para protestar, mas foi rapidamente
silenciada.
- Você não precisa se preocupar, estará de volta ao normal
em um instante, apenas tente relaxar.
Ele se aproximou e ao fazê-lo ela tentou se afastar, mas não
conseguiu devido às tiras de couro que prendiam seus pulsos e pernas. Ele
cuidadosamente pegou uma máscara e colocou-a sobre a boca e o nariz da garota.
Ela teimosamente tentou tirar, mas sentiu suas forças sumindo e lentamente seus
olhos se fecharam. De repente, Natalie acorda. Ela não conseguia compreender o
que estava vendo, estava recebendo várias injeções e algo estava sendo
esfregado em sua pele. Ela se sentiu tonta, mas estava completamente ciente de
seus arredores. Ela estava entrando em um estado raro em que os pacientes às
vezes se encontram durante uma cirurgia, na qual podem ver enquanto estão sendo
retaliados. Nesse estado eles podem sentir a dor e seu cérebro está ativo, mas
eles são incapazes de responder. Natalie, no entanto, conseguiu. Sua frequência
cardíaca começou a acelerar, conforme refletido no monitor e os médicos
perceberam isso. Eles olharam para ela e notaram seus olhos abertos. Um dos
médicos gritou com o outro. Natalie não conseguia entender o que eles estavam
dizendo, mas de repente ela sentiu uma onda de adrenalina. Tremendo
violentamente, ela lentamente começou a sair de suas amarras. Um dos médicos se
moveu para segurá-la, mas hesitou em fazê-lo. Natalie observou os três médicos
recuarem. Ela se sentou na beirada da cama e retirou os tubos intravenosos de
seu braço e a máscara de seu rosto. Ela se levantou e começou a cambalear em
direção a eles. Sua respiração era forte e sua visão estava embaçada. Ela
estava vagamente ciente de que estava rindo como um louco, mas de repente sentiu
uma dor no peito. Ela agarrou seu peito em agonia e caiu de joelhos, tossiu
sangue, caiu no chão e desmaiou.
Natalie acordou lenta e grogue algum tempo depois. Ela se
viu de volta na cama, com um médico sentado ao lado dela.
- Sinto muito, Natalie. Algo deu... terrivelmente errado.
Natalie não sabia por quê, mas sentia um ódio enorme pelo
médico. Ele notou seu desgosto e desviou o olhar.
- Você não deveria acordar enquanto estávamos lhe dando as
doses para o seu estado menta, não temos certeza de como isso a afetou, mas
temos a sensação de que vamos descobrir.
Ele parou por um momento antes de pegar um pequeno espelho.
O tempo todo desviando o olhar.
- Infelizmente, a medicação também afetou sua aparência.
Natalie se olhou no espelho e arregalou os olhos, que agora eram
completamente verdes. Ela notou que ainda tinha os pontos na boca, mas por
alguma razão não pôde deixar de se sentir feliz. Sua frequência cardíaca
começou a subir novamente. Ela deu uma risada baixa. O médico assistiu em
choque quando Natalie se moveu rapidamente em direção a ele, até que ela se
aproximou o suficiente para ele sentir sua respiração.
- Doutor?
Ela disse ainda sorrindo. Ele tremeu um pouco e apertou um
botão na parte de baixo do monitor.
- S-sim?
Ele gaguejou em resposta.
- Seu tempo acabou.
Um grito alto foi ouvido pelos corredores da instalação. Três
seguranças entraram correndo na sala, abrindo a porta com um chute. Sangue, sangue
foi a primeira coisa que viram. Sangue nas paredes, na cama, no chão, no teto.
Natalie amarrou o médico em sua cama. A cama estava dobrada no meio e a coluna
do médico estava completamente quebrada. O sangue escorria de seus olhos, nariz
e boca. No canto, estava a assassina, desenhando com sangue suas imagens
horríveis na parede, ao lado da frase “Seu tempo acabou”. Natalie lentamente se
virou para olhar os guardas, um largo sorriso maluco se espalhou por seu rosto.
- Olá amigos... V-vocês... gostariam de brincar?
Com isso, Natalie começou a rir incontrolavelmente. Os
guardas rapidamente sacaram suas armas, mas antes que pudessem agir, Natalie
atacou um deles. Um dos guardas disparou, mas Natalie conseguiu se esquivar.
Ela pegou a faca grande da bainha do guarda morto e cortou o abdômen do segundo
guarda. Sangue e órgãos caíram, ele caiu foi ao chão no segundo seguinte,
tremendo e gritando até ficar em silencio. Ela inalou profundamente, amando o
fedor úmido da morte. O guarda restante tremeu de medo e largou a arma. Ela
caminhou lentamente até ele e colocou a ponta da faca contra seu peito.
- Seu tempo acabou.
Natalie lentamente deslizou a faca pelo peito dele até o
final de seu abdômen. Seus órgãos se espalharam pelo chão e ele caiu morto.
