Naquela noite, eu estava atormentado por pesadelos do homem de terno na planície.


Não era realmente um sonho ruim, tanto quanto foi a sua presença me assombrando no meu subconsciente. Só estando lá, anormalmente alto, magro demais. Estando lá sem rosto, sem identidade e não importa o quanto eu tentasse, seu rosto nunca focava. Era como se a imagem vivesse em meus pensamentos, mas se manteve inalterada. Isso durou até eu ser abruptamente acordado pelo som de uma lâmpada estourando.

 

Corri para baixo, eu lentamente ajoelhei para pegar um pedaço e examinar quando senti um leve sopro de vento atrás de mim. Eu me virei mais rápido do que um gato assustado para ver o que ou quem era. Meus olhos ainda não tinham se acostumado com a escuridão então não vi nada. Meu próximo pensamento foi ouvir. Nada. Talvez fosse o meu pesadelo, ou a fadiga pregando peças em mim. Talvez um leve tremor tenha feito a lâmpada cair, ela estava mal encaixada mesmo. Independentemente disso, eu estava cansado queria dormir um pouco, sem pesadelos.

 

Isso não aconteceu.

 

Durante o resto da noite, o homem estava em toda parte dentro de meus sonhos. Ele era um pouco curioso. Sempre parecia se esconder cautelosamente atrás de árvores. Somente no retrato original estava completamente exposto.

 

Não demorei muito para acordado. Olhei à minha esquerda, 10:46. Olhei à minha direita e minha esposa estava dormindo. Sortuda. Eu sai da cama e lentamente fiz meu caminho. Eu meio que esperava a TV ligada e meus filho vidrados na tela, mas então lembrei que eles estavam na casa de sua avó. Eles iriam voltar naquele dia. Eu ia perder o silêncio logo. Continuei descendo as escadas, na esperança de ligar o computador para jogar paciência, quando algo me fez sentir muito fraco e vazio. A lâmpada não estava quebrada, mas colada pedaço a pedaço por um tipo de cola expeça e preta como alcatrão. Eu estava começando a entrar em pânico, minha esposa acordou e me perguntou o que estava acontecendo.

 

Expliquei o que aconteceu na noite anterior, sobre a lâmpada e os pesadelos. Ela apenas revirou os olhos. Esposas. Às vezes eu acho que elas fazem isso de propósito. Ainda me sentindo desconfortável, consegui me forçar a olhar para a floresta atrás de nossa casa. Era muito calma. Nada fora do comum. Não estava completamente escura por isso não parecia tão ameaçadora. Eu estava lamentando por essa noite. De repente, vi uma luz com o canto do meu olho que me levou a quase pular para fora da minha pele. Foram apenas as crianças entrando e gritando.

 

Horas se passaram. Nós brincamos com as crianças e depois as colocamos na cama. Relaxamos no sofá. Minha esposa estava dormindo no meu peito. Eu estava cochilando, lentamente fechando os olhos. Não demorou muito para o silêncio ser quebrado com uma janela quebrando no andar de cima. Em uma onda de pânico, subi as escadas correndo o mais rápido que pode. Nosso filho mais velho, com medo disse que veio do quarto de seu irmão. Sem sequer pensar, eu chutei a porta e lá estava ele. O homem dos meus sonhos. O homem esguio. Parado sobre a cama do meu filho.

 

Depois de vê-lo, eu agi, mesmo sem saber o que estava acontecendo. Tentei socos, tentáculos pretos e longos saíram de suas costas chicoteando ao redor. A última coisa que me lembro foi ser jogado contra uma parede. Quando voltei a mim, minha esposa estava em lágrimas. Eu tinha três costelas quebradas. Meu filho havia sido levado. O homem esguio tinha meu filho e não havia nada que eu pudesse fazer. Mas eu sabia que ele ia voltar.

 

O resto do dia foi cheio. Minha esposa quase não conseguia parar de chorar. Meu outro filho estava em um estado constante de choque. Eu mal conseguia pensar, entretanto, consegui chamar a polícia. Disse-lhes que o meu filho tinha sido raptado por um homem de terno preto. Eu mantive os detalhes dos tentáculos para mim com medo de que não iria acreditar. Mas essa era a menor das minhas preocupações. Eu precisava descobrir quando ele voltaria.

 

A polícia apareceu e anotou cada uma das nossas informações. Eles examinaram o quarto do meu filho, fizeram uma busca rápida na floresta. Não acharam uma única evidência. Eles haviam começado a sair quando algo pendurado em um galho muito alto chamou a atenção. Era uma peça de pano. Preto. Muito parecido com o terno que comprei enquanto estava de férias. Indiquei isso para a polícia e eles quiseram ver meu terno. Rapidamente mostrei o caminho e quando abri a porta do armário foi inacreditável. Envolto em meu terno agora completamente esfarrapado estava meu filho. Completamente encharcado de sangue. Ele não parecia consciente. Tanto choque e nojo me fizeram quase vomitar. Foi quando apaguei.

 

Quando voltei a mim, eu estava em um lugar desconhecido. Paredes cinza, uma janela grande que parecia um espelho, uma porta branca e uma mesa longa. Ótimo, eu estava em uma sala de interrogatório. Fiquei ali sentado, sozinho. Minha memória estava confusa. O oficial entrou.

 

- Seu filho não sobreviveu. Você ainda não foi confirmado como culpado, mas evidências indicam isso. A investigação completa será realizada. Você será levado de volta para casa, mas estará sob constante supervisão.

 

Fui levado para casa na parte traseira de um carro da polícia. Fui recebido de braços abertos por minha esposa ainda soluçando e meu filho sem emoção. Voltar não foi fácil. Felizmente, nós não teríamos que ficar muito tempo. A polícia explicou que estávamos indo para um hotel por alguns dias. Juntamos nossas coisas quando uma folha na geladeira chamou minha atenção. Era um desenho do meu filho em pé ao lado de um homem alto de terno preto, sem rosto. Meu coração quase parou, talvez não tenha parado pela raiva que senti dele.

 

- Eu vou me vingar desgraçado. Sussurrei enquanto guardava a folha no bolso.

 

O hotel era comum, papel de parede simples, duas camas de solteiro, uma TV. Nós nos instalamos, guardando nossas coisas e deitando. Eu por outro lado, fui ao banheiro, o único lugar que eu sabia ser privado. Tranquei a porta e tirei a folha do meu bolso. Eu percorri a página em busca de pistas, mas sem sucesso. Tudo o que estava lá era o desenho e seu nome rabiscado no canto inferior. A coisa que mais me irritou foi o fato de que o homem não tinha rosto. Sem identidade. Nem uma única característica marcante. Eu precisava dormir.