Assinado: ZAO



Sarah sentia saudade do sabor de seu doce favorito. Cremoso, achocolatado e levemente salgado. Toda Páscoa ela ganhava uma cesta cheia.


Mas agora, nada dele, MamĂŁe e Papai disseram que nunca mais, nunca mais mesmo.

- Encontre outra coisa, querida, há muitos outros doces por aí.

Ela não queria experimentar outros doces. Ela ainda via seus amigos na escola com eles, todo dia. Ela não era tão boa em soletrar? Ela não estava cuidando bem o suficiente de seu peixinho dourado? O que havia mudado? Seus pais lhe disseram que ela não entenderia, de uma hora para outra, aqueles doces haviam se tornado ruins. Ninguém na família poderia come-los novamente.

Se a professora de Sarah sabia o porquê, ela havia se esquecido uma boa nota em matemática havia premiado a menina com algo mais valioso do que ouro, a forma perfeita de um copinho folheado. Ela o guardou para mais tarde, e saboreou no ônibus de volta para casa, dando lentas e pequenas mordidas, depois apressadamente descartou toda a evidência amassada em uma lata de lixo antes de entrar em casa.

Com o sabor do doce ainda recente em sua boca, ela inclinou-se ao chegar em casa, para dar ao bebezinho Jojo um beijo em sua larga e pálida testa.

Quando Mamãe voltou da cozinha, alarmada pelos berros confusos de Sarah, a cabeça do neném estava vermelha e inchada, em seguida no carro ficou arroxeada e quente, e finalmente, cinza e fria no hospital.

A partir daquele dia, Sarah voltou a ter permissĂŁo para comer amendoins.

Pena que ela nunca mais os quis.


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