Assinado: ZAO
Muitas pessoas me perguntam por
que gosto da chuva.
Desde pequeno, sempre sentia na
chuva um alÃvio. Um doce conforto na leve fragrância deixada na atmosfera. Mas
não é somente por isto que me sinto deslumbrado pela chuva.
Pois também encontro outros
prazeres no gotejar cintilante que provém dos céus, como aquele que, em espaços
urbanos, recai sobre a calha de meus telhados. Ou quando, acompanhado do vento,
se rebate contra a vidraça de minhas janelas. E mesmo fora de meu confinamento,
onde me vejo face a incrÃvel paisagem natural, o seu despencar sobre a copa das
árvores que amortecem o som de todo o ambiente, tornam a experiência algo
extraordinário, algo único.
Ahh. É tudo tão primoroso. Tudo
completamente sincronizado e em harmonia.
Porque é ela quem esconde o
caminho que percorro por entre as matas.
É ela quem apaga os rastros de
meus encalços.
É ela quem me abriga e protege
de olhos curiosos.
É ela quem amortece o solo
profundo de onde cavo.
É ela quem abafa os gritos
incessantes de minhas vÃtimas.
E o mais importante, é ela quem
lava o sangue das minhas mãos.
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