Assinado: AlphaShadow



E os meses seguiram. Eu continuava matando brutalmente vĂ¡rias pessoas, uma por uma.


E no dia mais feliz da minha vida, Anna veio ao meu encontro. Ela chegou na porta do prĂ©dio, e gritou pelo meu nome. Sinceramente, vocĂª nĂ£o sabe como Ă© bom ouvir seu prĂ³prio nome depois de tantos meses.

Corri para abraça-la, mas Vespa veio junto, e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela atacou Anna. Foi um movimento rĂ¡pido, e em apenas uma mordida ela arrancou metade do lĂ¡bio inferior da garota que eu amava. Sem pensar duas vezes, eu ataquei Vespa com a minha faca. Se vocĂª nunca viu uma luta entre dois proxies, nĂ£o sabe o significado da palavra luta. Na verdade, nem posso descrever aquilo com palavras, pois eu nĂ£o conheço palavras que possam descrever aquela noite.

Em um segundo, nĂ³s estĂ¡vamos em um local muito diferente uma dimensĂ£o sem cores, em que diversas crianças nos observavam. O homem de terno estava ali e eu entendi tudo, eles estavam assistindo a luta. Olhei para Vespa, e ela rosnou. Corri na direĂ§Ă£o dela, para um combate incessante que durou muito, muito tempo. NĂ£o posso lhe dizer ao certo quanto foi, mas quando finalmente acabou, Vespa estava destroçada no chĂ£o Ă  minha frente, eu estava de volta ao mundo real, e Anna Karenina me disse que haviam se passado meses.

Mas tinha algo diferente, minha consciĂªncia estava no auge. Eu nĂ£o sentia mais a influĂªncia do homem de terno sobre mim. Peguei rapidamente Anna pelas mĂ£os e corri.

- No que vocĂª estĂ¡ pensando?

- Em nada demais. Continue a jantar.

EstĂ¡vamos em um restaurante, comendo. Por motivos Ă³bvios, eu havia guardado minha mĂ¡scara, e trocado minha roupa suja de sangue. Eu olhava para a mesa pensando em tudo o que havia acontecido nesses Ăºltimos meses. Eu nĂ£o podia parar de matar. Finalmente eu havia achado uma vocaĂ§Ă£o na minha vida. Matar pessoas que mereciam morrer era minha missĂ£o.

Contei tudo para Anna. A boca dela ainda chamava muita atenĂ§Ă£o pelo grande buraco que estava onde Vespa lhe havia arrancado a carne, deixando sempre uma parte de seus dentes e gengiva Ă  mostra. Quando terminei de lhe contar tudo, ela me olhou com uma voracidade nos olhos. Vi naquela garota uma vontade sedenta de matar. PorĂ©m, ela se reteve.

- Com tantos assassinatos que nĂ³s precisaremos cometer, se esse assunto chegar na grande mĂ­dia, o que irĂ£o falar?

Refleti por um momento, e entĂ£o sorri.

- DirĂ£o o que deve ser dito. DirĂ£o nada alĂ©m da verdade. DirĂ£o que pessoas estĂ£o morrendo na cidade.

Ela pĂ´s no rosto a mĂ¡scara de enfermeira que afanou de alguma clĂ­nica. Eu cobri meu rosto com minha mĂ¡scara, e peguei minha faca. Nos levantamos, e iniciamos nossa purificaĂ§Ă£o ali mesmo, transformando aquele restaurante lotado, em um grande e lindo espetĂ¡culo sangrento. E Ă© assim que vivemos atĂ© hoje. Reuni alguns seguidores que contribuem para a minha causa, e juntos formamos os Profetas.

Anna Karenina, com seus olhos verdes e sua mĂ¡scara de enfermeira, ataca principalmente nos hospitais do paĂ­s, onde ela pode passar despercebida. Se algum dia vocĂª estiver internado em um hospital, tome cuidado com aquela enfermeira de olhos verdes que entra no seu quarto pela noite.

O Profeta Voraz, com sua mĂ¡scara de gesso branca, onde estĂ£o pintadas uma boca preta escancarada e dois olhos negros. Ele Ă© o nosso garotinho canibal. Ele irĂ¡ amassar sua cabeça com um martelo, e devorar seu fĂ­gado.

O Profeta Avarento, com seu rico robe dourado e sua mĂ¡scara de raposa, vocĂª irĂ¡ gritar quando acordar acorrentado na mansĂ£o dele, e ser torturado atĂ© a morte. Ou ser estuprado pelo seu irmĂ£o, o Profeta Bizarro, com sua mĂ¡scara de touro, seu sobretudo vermelho e sua faca de açougueiro.

Ou entĂ£o, quando a energia da sua casa acabar, ou simplesmente estiver tudo escuro, tome cuidado com o Profeta das Sombras, e a sua cantoria mortal.

Todos eles seguem a mim, o seu lĂ­der. NĂ£o preciso falar de mim afinal vocĂª jĂ¡ ouviu muito sobre mim.

Eu sou o sorriso mais cadavérico das vítimas.

Eu sou aquele te observa.

Aquele que te guia até a arca.

Aquele que infesta seu cadĂ¡ver de vermes.

Eu sou aquele que enfrentou a morte.

Aquele que esfaqueou a vida.

Sou aquele que vai te matar.

Eu sou o Profeta Risonho.


PARTE 1

PARTE 2


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