Assinado: AlphaShadow
Quando criança uma das lendas que
mais me dava medo, era aquela sobre os monstros que viviam no esgoto, porque se
você for pensar, o esgoto está em todos os lugares, abaixo de nós e as vezes
até perto da superfÃcie, como córregos, e bueiros.
Esse meu medo era irracional
porque não existem monstros. Porém outro dia eu estava navegando pela internet,
e me deparei com um site de fotos aleatórias, uma delas era de um ser no
esgoto, essa foto se originava de um vÃdeo. Ele se parecia com uma pessoa, mas
com a pele toda rachada e pelos em alguns lugares do corpo. Eu primeiramente
achei o fato curioso e depois tive a ideia lúcida de que aquilo era uma
montagem feita com algum programa gráfico.
Em outro fim de semana um amigo
meu veio dormir na minha casa, eu comentei e mostrei para ele o vÃdeo, e ele
sentado ao meu lado na mesa do computador, me olhou com aquela cara de idiota
que queria dizer "Acho que deverÃamos tirar isso à prova". Eram por
volta de seis da tarde quando descemos minha rua em direção a uma avenida pouco
movimentada, andamos por cima de uma ponte, passamos por um bar, e chegamos ao
beco onde uma grade nós separava da entrada para uma galeria de esgoto, a grade
tinha uma lateral solta por onde, provavelmente alguns viciados passavam.
Quando passamos por debaixo do arame e estávamos mais perto da entrada, eu
quis desistir quase que instantaneamente. Não era uma coisa muito recomendada
para se fazer em um sábado à noite. Em questão de segundos quando eu já estava
do outro lado da grade e indo em direção à rua ouvi um barulho de tampa de
ferro sendo arrastada, e em seguida o ouvi chamar meu nome. Ele havia achado um
bueiro que ia ainda mais fundo naquela fossa, ele também tinha tirado a tampa,
e ensaiava descer lá em baixo. Eu fiquei parado na calçada impaciente, gritando
para que ele voltasse comigo para casa, e parasse de ser idiota. Do outro lado
da rua estava Ingrid, uma garota da minha escola, eu fiquei olhando ela andando
em direção ao mercadinho.
Esse tempo em que me distrai, foi
o tempo em que meu amigo sumiu. Quando olhei para traz ele não estava mais lá,
e a fumaça mesmo sendo tão densa, ainda transparecia o que havia em volta.
Andei até o bueiro, que estava aberto, olhei para dentro, certo de que não
veria nada, afinal já estava anoitecendo, mas o que vi ali dentro foi muito
surreal e impactante, não só pela violência daquele ato, mas por meus antigos
medos terem se tornado realidade. Quando meus olhos se adaptaram a escuridão,
pude ver um ser, um tipo de homem baixinho, muito magro com a pele quase que
despedaçada, ele tinha algumas escamas na pele, e estava devorando meu amigo,
que eu apenas reconheci pela roupa, já que ele não tinha mais a cabeça. Pelo
que parecia ele fora mastigado vivo, começando pela cabeça, por isso eu não
havia ouvido gritos, e agora o monstro tentava arrancar um dos braços. E eu ali
olhando a cena, como quem observa um cachorro roer um osso. Porque no fundo eu
sabia que aquilo existia, mas eu rejeitava essa ideia, eu me afastei um pouco
da borda, sentindo muita vontade de vomitar, mas esbarrei naquela tampa enorme
de ferro.
Foi quando o monstro me viu, ele
me olhou ferozmente, com aqueles olhos amarelos, e sua boca coberta de sangue e
carne, meu coração quase saiu pela boca quando ele pulou esticando o braço em
minha direção, mas parecia ser alto demais para ele. A tampa que estava na
lateral parecia bem pesada, e era. Eu a arrastei em direção ao
bueiro, e ouvi a criatura gritando de raiva, o barulho parecia com um grito de
zumbi, mas eu não tenho muita certeza, acho que ele sentia raiva por não poder
me devorar também. Eu fechei o bueiro e corri, meu amigo ficou para trás e
agora eu teria que arranjar uma desculpa para explicar o porquê ele não
voltaria mais para casa, para os meus pais e para os dele.
Estou escrevendo isso para avisar
as pessoas, que tomem muito cuidado, pois existem muitos bueiros na cidade.

